CONVERSA DE BAR
Vereador protesta em plenário
soltando uma sola envenenada
Gibson Azevedo
Pituleira e mano Roberto, aí vai mais uma cavilação de poeta, reportando ao tempo no qual era possível um homem simplório como Ferreirinha (homônimo do nosso querido Vicente Ferreira de Morais, o Comendador), lograr êxito eleitoral, em campanha política visando à Câmara Municipal de Natal, sem o menor dispêndio de dinheiro.
Haja vista ter sido eleito, à época, percorrendo as ruas da nossa capital, garimpando votos montado na sua humilde bicicleta, totalmente impossível de acontecer nos atuais embates cívicos. Pois que, faltava-lhe o famoso “capim mimoso”.
Lauro Melo, que foi seu colega naquela legislatura, contou-me que nas ocasiões nas quais havia apreciação e ou votação de assuntos e temas polêmicos, os adversários convidavam àquela humilde figura para almoçar na Churrascaria Gaúcha, regado a vinho tipo sangria.
Bebia de copo cheio, entornava-os!
De volta à Câmara, já tarde adentro, Ferreirinha pegava no sono em pleno serviço daquela casa legislativa, não obstando a nenhum dos intentos ou projeto de lei.
Relaxava a musculatura em pleno repouso, ressonava alto e liberava gases...
Numa dessas ocasiões, na qual o velho Ferreirinha tinha degustado substancial quantidade de batata doce, ainda quente, e um tipo de picanha acebolada que era um verdadeiro pecado para os ocasionais glutões, com a Câmara cheia de curiosos e alguns babões, sorrateiramente, Ferreirinha protestou contra a matéria em apreciação.
Muito embora o fizesse pelas partes baixas.
Este episódio gerou um excelente mote, no qual, prazeroso, glosei:
Mote
C’um traque de Ferreirinha
A sessão ficou deserta.
Glosa
Aconteceu à tardinha
Na Câmara Municipal:
Alvoroço sem igual,
C’um traque de Ferreirinha.
Foi uma "sola quentinha"
Do Edil da bicicleta,
Por sorte, a porta aberta,
Evitou-se de arrombá-la...
De pronto, encerrou-se a fala:
A sessão ficou deserta!
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