sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Tomando uma no bar de ferreirinha mais uma convessa de bar

Eu prometo.. eu vou fazer... eu sou foda... eu caso e batizo... eu... eu... eu...

Hoje, 30 de setembro de 2010, é o último dia para que os candidatos e coligações façam seus comícios, passeatas e carreatas, catando os últimos votos dos indecisos.
Em homenagem ao esforço de todos os candidatos - picaretas, canalhas, ladrões, filhos da puta e também aos honrados - o Bar de Ferreirinha publica um poema de Jessier Quirino, o mais fuderoso poeta popular deste Brasil varonil.


Comício em Beco Estreito
Jessier Quirino

Pra se fazer um comício 
Em tempo de eleição 
Não carece de arrodei 
Nem dinheiro muito não
Basta um F-4000 
Ou qualquer mei caminhão 
Entalado em beco estreito 
E um bandeirado má feito 
Cruzando em dez posição.

Um locutor tabacudo 
De converseiro comprido 
Uns alto-falante rouco 
Que espalhe o alarido 
Microfone com flanela 
Ou vermelha ou amarela 
Conforme a cor do partido.

Uma ganbiarra véa 
Banguela no acender 
Quatro faixa de bramante 
Escrito qualquer dizer 
Dois pistom e um taró 
Pode até ficar melhor 
Uma torcida pra torcer

Aí é subir pra riba 
Meia dúzia de corruto 
Quatro babão, cinco puta 
Uns oito capanga bruto 
E acunhar na promessa 
E a pisadinha é essa: 
Três promessa por minuto.

Anunciar a chegança 
Do corruto ganhador 
Pedir o "V" da vitória 
Dos dedo dos eleitor 
E mandar que os vira-lata 
Do bojo da passeata 
Traga o home no andor.

Protegendo o monossílabo 
De dedada e beliscão 
A cavalo na cacunda 
Chega o dono da eleição 
Faz boca de fechecler 
E nesse qué-ré-qué-qué 
Vez por outra um foguetão.

Com voz de vento encanado 
Com os viva dos babão 
É só dizer que é mentira 
Sua fama de ladrão 
Falar dos roubo dos home 
E tá ganha a eleição.

E terminada a campanha 
Faturada a votação 
Foda-se povo, pistom 
Foda-se caminhão 
Promessa, meta e programa... 
É só mergulhar na Brahma 
E curtir a posição.

Sendo um cabra despachudo 
De politiquice quente 
Batedorzão de carteira 
Vigaristão competente 
É só mandar pros otário 
A foto num calendário 
Bem família, bem decente:

Ele, um diabo sério, honrado 
Ela, uma diaba influente 
Bem vestido e bem posado 
Até parecendo gente 
Carregando a tiracolo 
Sem pose, sem protocolo 
Um diabozinho inocente.

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