quarta-feira, 3 de novembro de 2010


Brasiliero que reside no Canadá volta a debater no blog questão nordestina


Peço-lhe permissão para outra vêz usar o seu espaço para esclarecer alguns dos seus leitores que deram resposta ao meu escrito anterior: Os senhores não me conhecem, não conhecem a minha história e possivelmente não conhecem o Canadá. Portanto estão justificados em questionar até o meu direito de opinar sobre a política do Brasil. Peço-lhes porém que usem a cortesia seridoense para que assim possamos dialogar como amigos e conterrâneos que só desejam o bem do Brasil.
1) Aí estão duas fotos que mostram a entrada da minha casa. Assim que você entra, do lado direito há algumas plantas. Na foto menor, você verá que há 3 ítens específicos: Uma pedra com a inscrição “Barra da Espingarda – Caicó, RN”, um caco de telha e uma cabaça pintada com a data do ano 1980. Esses três ítens são de grande importância para mim. A pedra e o caco de telha vêm das ruínas da casa de taipa – de um quarto só – onde eu nasci, na Barra da Espingarda. A cabaça eu adquiri em Natal, na mesma semana que eu saí do Brasil em agosto de 1980.
2) Eu não sou rico. Sou um trabalhador, no Canadá. Aqui eu sou parte da classe média – a qual pode ser dividida em 3 partes – e eu pertenço à parte de menor poder aquisitivo da classe média.
3) Pode ser difícil compreender isso – mas não há pobreza no Canadá. Aqui só é pobre quem quer ser pobre. Qualquer jovem que quer subir, pode subir – desde que queira trabalhar duro.
4) Aqui a polícia é respeitada. Político não manda na polícia. O policial é bem pago e bem equipado. Se você precisar fazer uma boletim de ocorrência, você faz com qualquer policial pois ele/ela está equipado para tal. O policial é bem recebido pela comunidade. Se o cidadão teme ou não respeita a polícia é porque ele é bandido. O policial está do nosso lado, é educado e a lei funciona.
5) Eu nasci pobre no interior de Caicó. A minha mãe era analfabeta mas eu a respeito profundamente pois acho que ele era mais educada do que alguns educados que eu conheço. Eu sei o que é carregar lenha na cabeça, botar água de galão e roladeira, vendendo de porta em porta. Eu sei o que é passar fome. Eu sei o que é ser jovem e não namorar pois o bolso tá sempre vazio…
6) Eu sei o que é ter que sair da terra de origem, como eu saí – pois não tinha outra opção…
7) Eu sei o que é chegar no exterior sem falar o idioma, ficar 3 anos sem encontrar ninguem para falar português (30 anos atrás não tinha internete, etc…). Eu sei o que é ser considerado “estrangeiro” e levar chifrada de qualquer vaca…
8) Aprendi a enfrentar desafios – e já vivi mais tempo fóra do Brasil do que aí – mas, sou Brasileiro. Tenho o direito de opinar sobre o meu país e, apesar de distante – creio que sei mais sobre o Brasil do que muitos dos brasileiros que moram aí.
9) O político brasileiro – em sua maioria – é ignorante, corrupto e só pensa na carreira pessoal. Não sou eu quem diz isso, é a análise internacional. O Brasil é mais corrupto do que Ruanda na análise das Nações Unidas.
10) Escute, pessoal. Se eu fôr ao médico amanhã e ele disser que eu tenho câncer e eu me zangar com o médico, isso não vai me ajudar, concorda? O Brasil tá doente e o primeiro passo para a cura é admitir o problema e iniciar os passos necessários para a recuperação.
Obrigado, mais uma vez, 
Inacio Teodoro da Silva – Canadá

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