segunda-feira, 31 de outubro de 2011

De olho no mundo - 15



cardápio da imprensa
Os primeiros ventos da crise mundial começam a bater por aqui e a indústria se prepara para dias difíceis. Estoques altos, férias coletivas, demissões voluntárias e desemprego já fazem parte da pauta de discussões de empresários e economistas brasileiros.

Dirigentes do setor de supermercados afirmam que pode estar a caminho uma alta de preços nas gôndolas, capaz de animar a inflação. Afirmam que os vilões desta vez seriam os cartões de crédito, que aumentaram em 50% a taxa cobrada nas operações com produtos financeiros como o Visa Vale.
Exames realizados em Lula da Silva no hospital Sírio-Libanês diagnosticaram um câncer de laringe. O tumor tem porte médio (2 a 3 cm) e o tratamento à base de quimioterapia e radioterapia – denunciando que o estágio da doença já é intermediário –, foi iniciado. Quando tratado a tempo esse tipo de câncer apresenta índice de cura superior a 80%.
Depois do impacto inicial da notícia, os líderes do petismo começam a discutir os efeitos práticos dessa novidade. O primeiro deles é a possível saída de Lula da Silva da pré-campanha do PT para as eleições de 2012, pois o tratamento exige algum tempo sem usar a voz. O primeiro prejudicado por esse silêncio involuntário será o ministro da Educação Fernando Haddad, nova criatura que o ex-presidente tenta construir para ocupar a prefeitura paulistana.
Aldo Rebello retrata bem a era de mediocridade que vivemos na administração pública, sem que se exija qualquer capacitação para os cargos. Parlamentar (há 20 anos) sem grande relevância, já presidiu a UNE, a Câmara dos Deputados, foi ministro das Relações Institucionais, ministro da Defesa, relator do novo Código Florestal, quase ministro do TCU e agora ministro do Esporte. Nas horas vagas inventa projetos amalucados para acabar com estrangeirismos na língua portuguesa, fala fluentemente tupi-guarani – sozinho, evidentemente –, e pretende expulsar as bruxas do Halloween do calendário propondo o Dia Nacional do Saci-pererê em 31 de outubro. Dizem que o Negrinho do Pastoreio está inconsolável.
O descaramento de certas figuras é algo insondável. Orlando Silva, afastado por Dilma Rousseff das decisões da Copa e das Olimpíadas, investigado por todos os lados, cada vez mais cercado de lama e mentiras num ministério que ostenta um histórico de fraudes, insistiu o quanto pôde para permanecer ministro. Algo condizente com alguém capaz de comprar tapioca com dinheiro público.
Alguns analistas consideram que o golpe de misericórdia em Orlando Silva foi a humilhante descompostura passada pelo deputado ACM Neto na Câmara, durante a audiência da Lei Geral da Copa. Outros juram que a queda se deu porque o PT queria tirar a investigação do Supremo exatamente para afastar da mira o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz. Afinal, é sabido que Silva herdou um esquema criminoso da gestão do agora petista Queiroz.
No episódio da defenestração de Orlando Silva do Ministério do Esporte, uma pergunta continua sem resposta: de que tanto ria o presidente do PCdoB Renato Rabelo diante daquele mar de microfones?
O ex-ministro em chamas tem no PCdoB sua milimétrica cara-metade. Um partido torto pela voracidade por dinheiro público e pela quantidade de lama que passou a emanar, bem que merece a carta melada do tapioqueiro que ousou se nivelar a Pablo Neruda: “Neste momento, como disse Pablo Neruda em sua carta ao partido, me sinto indestrutível porque contigo, meu partido, não termino em mim mesmo”. Termina soando frase perfeita, pois o partido e seu ex-ministro, sócios nas fraudes, apagaram os limites de cada um na cena do crime.
Ninguém aguenta mais essa ladainha cínica da esquerda festiva vociferando em defesa dos seus ladrões, como se apenas a roubalheira da direita merecesse castigo e a roubalheira das esquerdas nascesse de algum fundamento altruísta para transformar a humanidade. Uma aberração esquizofrênica e espertalhona que encontra sua síntese na célebre frase recitada pelo ator militante Paulo Betti: “Não dá para fazer (política) sem botar a mão na merda”.
Enquanto impõe ao cidadão comum uma das cargas de impostos mais pesadas do mundo, o governo brasileiro se prepara para conceder uma generosa isenção tributária ao setor de telecomunicações. Estamos falando de um segmento com alto grau de lucratividade, que cobra tarifas nem um pouco amistosas, mas a desculpa oficial apresentada pelo ministro das Comunicações Paulo Bernardo é um primor: “A isenção vai vigorar até 2016 e achamos que as empresas vão antecipar seus planos de investimento até porque o mercado está forte e demandante”. Ou seja, não faltam recursos próprios para que as teles façam seus próprios investimentos.
Agora poderemos finalmente saber o que os senadores Zé Sarney e Fernando Collor tanto queriam esconder nos documentos secretos do governo, pois o Congresso determinou que, respeitados alguns prazos, eles sejam disponibilizados para a sociedade.
É um absurdo que ninguém dê notícias do paradeiro do fantástico guarda-roupa e das enfermeiras ucranianas de Muammar Kadafi. Já tem gaiato dizendo por aí que ele não conseguiu correr dos rebeldes por causa do peso daquela quantidade incontável de medalhas autoconcedidas que carregava no peito.
Nos últimos 12 meses os brasileiros gastaram R$ 2 bilhões na compra de imóveis da Flórida. Um apartamento de três quartos em Miami vale hoje o equivalente a R$ 242 mil.
Se depender da vontade dos ministérios da Cultura e do Turismo, durante o reinado da bola as 12 cidades-sede da Copa terão uma exposição multimídia do grande Candido Portinari.
As questões ambientais sempre juntam um bando de gente que estaciona no alarido e vira ecochato de carteirinha. E outro bando de gente que, em silêncio, faz a diferença ao produzir, por exemplo, um copo descartável à base de amido de milho e já disponível no mercado.
Essa baboseira do “politicamente correto” não tem limites e nem constrangimentos. Moradores da localidade denominada Muzema, na Barra da Tijuca, resolveram implicar com a novela Fina estampa porque a região é chamada de favela na trama. Preparam um abaixo-assinado tentando pressionar o autor Agnaldo Silva a mudar o termo para “comunidade”. Como se uma mudança de substantivo fosse suficiente para melhorar a situação de quem vive lá.
Quem é do mar não enjoa mesmo. Depois do fim da Modern Sound, uma loja de discos que reinou em Copacabana como uma das melhores do mundo, seu criador Pedro Otávio está de volta ao batente. Será o responsável pela programação musical de uma nova casa, que estreará no Largo do Machado em novembro. O proprietário é Carlos Lessa, economista e ex-presidente do BNDES.
Outra grande festa da MPB está a caminho: o novo DVD de Zeca Pagodinho, gravado em seu sítio de Xerém. A produção se deu numa festa fechada para amigos, regada a música, feijoada e muita cerveja. A lista de convidados ilustres teve Almir Guineto, Beth Carvalho, Gilberto Gil, Jorge Benjor, Monarco e Seu Jorge.
As blitze da Lei Seca em São Paulo foram prorrogadas. Antes acabavam às 4 da madrugada; agora vão até às 6 da manhã. Os boêmios estão em festa, pois ganharam outras duas horas de desculpas para chegar mais tarde em casa.

Esses merdas não conseguem fazer política sem fazer merda.”

Zé Prativai, impressionado com a usina de fezes em que se transformou a classe política brasileira.


alarido
Ela vai primeiro do que eu, que é pra me receber de braços abertos no céu.”
(A extraordinária dona Canô, mãe de Caetano e Bethânia, do alto dos seus 101 anos, consolando a família diante da perda da filha Nicinha)

“Se depender de Aldo Rebelo, haverá ‘tento no ludopédio’.”
(Carlos Brickman, jornalista, a respeito da mania do novo ministro contra os estrangeirismos na língua portuguesa)

“O que desejar a Luiz Inácio (o ser humano)? Sucesso! Saúde! Que ganhe esta batalha. Que vença esta luta. Nesta, estamos juntos. Não mudo minha opinião sobre a personagem Lula. Maléfico ao Brasil. Destruiu uma expectativa de mudanças em nome de um poder sem limites. Um mitômano que mente até mesmo para si. Um paranoico que vê em adversários, inimigos. Um político que faz aliança com o capeta em nome de qualquer objetivo. Isso continuarei a afirmar. No mais, só posso dizer: FORÇA LULA!”
(Reynaldo, leitor do blogue do jornalista Ricardo Setti, a respeito do diagnóstico de câncer de Lula da Silva)

“O câncer não é instrumento de vingança política, não é uma lição de vida, não é um livro didático! Ele só ensina que é preciso vencê-lo. Nada mais!”
(Reinaldo Azevedo, jornalista, pelo mesmo motivo)

“Ele não resistiria a mais uma denúncia nova.”
(Dilma Rousseff, em Manaus, falando de Orlando Silva pouco antes de derrubá-lo do poder)

“Inquérito no STF não é uma sentença condenatória.”
(José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, no melhor estilo esquerda festiva defendendo o indefensável Orlando Silva)

“O Brasil não quer Vossa Excelência falando sobre a Lei Geral da Copa. O Brasil quer Vossa Excelência distante do Ministério do Esporte.”
(ACM Neto, deputado, falando diretamente a um ainda ministro Orlando Silva completamente mudo)

“Se você não pedir, ela (Dilma) te demite.”
(Renato Rabelo, presidente do PCdoB, empurrando a ficha para Orlando Silva cair na real)

“Orlando Silva Jr. não teve papel de relevo em nada de útil durante todo o período em que esteve à frente do Ministério do Esporte. Não teve, ao contrário da propaganda do PCdoB, papel algum na escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo 2014 e a Olimpíada de 2016 e foi incapaz, como seus antecessores, de democratizar o acesso ao esporte no Brasil.”
(Juca Kfouri, jornalista)

“Os convênios fantasmas, o descontrole na distribuição de recursos, o favorecimento a empresa da família, os assessores que ensinam o denunciante qualificado como ‘bandido’ o caminho das pedras para se safar de punições por fraudes cometidas no próprio ministério, os repasses de verbas para beneficiar correligionários do PCdoB, a assinatura de contratos com gente inidônea, nada disso é levado em conta.”
(Dora Kramer, jornalista, a respeito da insistência do governo em esperar uma dose extra de lama antes de finalmente defenestrar Orlando Silva no Ministério do Esporte)

“Tudo é tão simples, tudo é tão prosaico, tudo é tão destituído de grandeza! Uma máquina partidária se assenhorou daquilo que pertence ao povo para distribuir benefícios entre os militantes. É um roubo como qualquer outro.”
(Reinaldo Azevedo, jornalista, falando do PCdoB)

 “A CBF mandou o pior time que poderia mandar e destruiu nossa audiência.”
(Diretor da Record, a respeito da Seleção enviada ao Pan, começando a entender que a emissora entrou numa roubada)

“Na festa peronista de domingo, a presidente foi do choro à gargalhada sem mudar a expressão facial.”
(Tutty Vasques, jornalista, comentando a quantidade de botox aplicada na campanha pela reeleição de Cristina Kirchner)

“O gordo e o anão se identificam porque o mundo não foi feito para eles. O anão não alcança e o gordo entala.”
(Jô Soares, firme na cruzada contra a baboseira do “politicamente correto”)

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