quinta-feira, 3 de novembro de 2011


ARTIGO

No Reino de Hades
João da Mata

'Mudança é a lei do universo. O que você acha que é morte pode ser vida.'
Baghavad Gita

O universo está em constante transformação. Sua entropia aumenta. 
A seta do tempo aponta numa só direção. 
Terminaremos um dia.  
É  a lei inexorável. 
Entre a morte e a vida um breve tempo suficiente para fazermos mais do que pensamos fazer e menos do podíamos ter feito. 
A morte e a beleza são duas coisas profundas, escreveu Victor Hugo.
A morte, a temível caetana é a musa inspiradora de lindos versos. 
Os românticos tinham um pacto com ela. 
Por amor morreu Werther. 
No túmulo do poeta  Keats no cemitério protestante de Roma está escrito na lápide: “Here lies one whose name was write on water.” - Aqui jaz alguém cujo nome foi escrito na água.
Belíssimos quadros e esculturas foram pintados e talhados lembrando o reino de Hades.  
Alguns cemitérios são verdadeiros museus a céu aberto pelo céu desejado. 
Os túmulos majestosos  são topoi que permeiam as civilizações. 
No Brasil, o escritor Clarival do Prado Valadares publicou em dois suntuosos volumes  uma obra monumental em homenagem aos mortos.
Arte e Sociedade nos cemitérios  brasileiros.
Hoje lembramos daqueles que entraram no reino do Hades. 
Alguns tentam ser lembrados em túmulos suntuosos. 
Os matemáticos deixam uma fórmula. 
Os poetas um poema. 
Os políticos uma frase. 
Os amigos a lembrança eterna.
Choramos, rezamos e celebramos o dia dos mortos. 
Acendo uma vela a todos eles.
Canto meu cantochão.

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